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Stessa Persona


Cai o rei de espadas, cai, não fica nada

Ando muito desacostumada com esse ritual de acasalamento. Tudo é um jogo e eu acho realmente que me deram as fichas erradas. Não fosse um certo dom que tenho para o blefe, já estava fora há tempos. Sim, ainda há aqueles que acreditam quando eu digo que tenho um plano. Tolos. Estão por toda parte.



Escrito por stessa persona às 20h58
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27/10

Um saudosismo barato. Bem barato mesmo. Hoje completaria 3 anos. Essa foi a data gravada na aliança numa tarde estúpida. Ok, a tarde não era assim tão estúpida. Eu até estava feliz. Tomando aqui minha cerveja que já vai ficando quente, pergunto: quem diria que ia dar nisso?



Escrito por stessa persona às 22h42
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Tem uns fantasmas andando por aí. Não sei se eles estão exatamente atrás de mim. Não julgo que minha vida seja assim tão interessante para justificar a presença deles onde estou. Desconfio, entretanto, que eles andam a fim de trocar uma idéia comigo. Tomar um breja, sei lá. Faço-os saber, por aqui, que há sempre um lugar na mesa. É só chegar. Já há algum tempo perdi o medo que tinha deles. Esse medo eu perdi. Tem uns outros que ainda cultivo e alimento todos os dias. Inadvertidamente todos os dias.

 



Escrito por stessa persona às 12h36
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Respondendo sua pergunta

Eu tenho nome de planta. De sandália também. Mas eu me chamo assim porque os nomes lá em casa seguem a mesma letra e na época em que eu nasci passava uma novela em que a Joana Fomm tinha o meu nome. Eu sou filha caçula e tive (e tenho) todas as coisas boas e ruins que os filhos caçulas têm. Sou aquariana com ascendente em áries e não faço idéia do que isso significa. Não entendo porra nenhuma de signo, zodíaco, o caralho. Eu falo palavrão. Eu falo demais, principalmente quando bebo. Não bebo sempre, mas quando faço adio o quanto posso o momento de parar. Gosto de cerveja e de vodka. Adoro tudo o que engorda. Emagreço quando fico triste. Tenho fascínio por remédios, principalmente os de tarja preta. Embora queira, não posso ser doadora de sangue porque tenho talassemia. Não faço idéia do meu tipo sanguíneo. Doarei todos os meus órgãos quando morrer, menos os olhos. O preto prevalece no meu guarda-roupas. Tenho mais livros do que espaço no meu quarto. Minha memória é ruim para nomes e muito boa para rostos. Troco o número do celular toda vez que enjôo. Meus pés são grandes. Não sei cozinhar. Odeio dias de chuva. Gosto de cinema europeu e adorava o programa “Linha Direta” da Globo. Gosto de gatos e de cachorros, mas não por muito tempo. Tenho duas tatuagens e algumas cicatrizes. Meu pai é desaparecido, presumido morto. Adoro jogar dominó. Escuto a rádio Eldorado. Sou negra. Fumo Marlboro vermelho. Não sei dirigir. Meu saldo no banco é sempre menor que a soma das minhas contas do mês. Tenho a letra bonita. Sou filha de Iemanjá. Não como arroz se não tiver feijão. Gosto de homens gordos. Não uso dourado nem fodendo. Tenho seis sobrinhos. Morro de medo de trovão. Sou fissurada em sorvete de creme. Tentei me matar duas vezes. Leio até muito tarde e acordo atrasada pra trabalhar. O mais longe que fui até hoje foi pra Minas Gerais. Minto quando me é conveniente. Nunca sei em que metrô descer pra fazer baldeação. Meu livro favorito é um do Sabino. Aprendi a andar de bicicleta com minha irmã mais velha. Fiz graduação em Letras, mas ainda confundo adjunto adnominal com complemento. Uso aparelho fixo e não tenho um dos caninos. Estudei em escola pública. Não como brócolis. Aos 15 escapei de ser estuprada, mas não escapei de apanhar. Choro vendo filmes de amor com a Julia Roberts. Não guardo notas fiscais ou recibos. Torço para o São Paulo. Tenho quase 30 anos. Odeio tirar foto pra documento. Dou bom dia a estranhos no trem. Evito roupas vermelhas. Adoro milho cozido. Quando pequena, sonhava ser professora. Morro de medo de acabar sozinha. Caneta tem que ter ponta fina. Sempre escolho a notícia ruim primeiro. Guardo agendas antigas. Não sei se quero ter filhos. Adoro fanta uva.

 

Eu não achei que fosse sério quando você disse que queria me conhecer melhor. Tampouco quando você perguntou se estava tudo bem comigo.

Eu sou basicamente essa aí de cima. 

E se te importa de fato: não, não está tudo bem.

 



Escrito por stessa persona às 13h40
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Carta para alguém bem longe

Ontem, numa janela de um carro que não era o seu, passei pelos nossos caminhos. A avenida, o posto, o mercado, a padaria. Alguém falava alguma coisa e uma música tocava. Eu não ouvia nenhum dos dois, perdida na janela daquele carro e derramando umas (poucas) lágrimas internas. Não choro mais, é importante que eu diga. Cansei dos arroubos de amor. E de desamor também. Ando bastante contida quanto a isso. Você iria se orgulhar, tenho certeza. Ainda ontem tomei uns goles. De cerveja, de vodka. Na verdade o que aparecia na mesa em questão de tempo (pouco) descia pela minha garganta, desviando do nó. Sim, eu bebi bastante. Longe do seu olhar repressivo eu sempre bebi bastante. Pandeiros, tamborins e cavaco ficaram atiçando meu corpo. Sambei até começar a doer alguma coisa que, desconfio, era meu coração.



Escrito por stessa persona às 22h16
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Assisti “Nome Próprio”, filme do Murilo Salles, baseado na obra da Clarah Averbuck. No fim toca uma música que, vim saber depois, é de um grupo chamado Porcas Borboletas:

 

quando você tira a roupa
algo se revela
você tem uma tatuagem
de cicatriz

 

Pois é. Alguma semelhança aí. Tenho tatuagens. E cicatrizes. Tenho pensado seriamente em cobrir as segundas fazendo uso das primeiras. Zapeio a internet em busca de um desenho abrangente e preenchido o suficiente par dar conta do meu pulso esquerdo. Porque eu sou destra e sempre uso a direita para cortar.

 

"Menos pela cicatriz deixada, uma ferida antiga mede-se mais exatamente pela dor que provocou, e para sempre perdeu-se no momento em que cessou de doer, embora lateje louca nos dias de chuva." Caio Fernando Abreu



Escrito por stessa persona às 22h26
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Stanca

O meu sim

Marina Lima e Antonio Cícero

E eu quisera ser só seu
Quando o mundo era menor
E hoje eu sei
Que sou mais eu
Pra melhor ou pra pior

E eu vou seguindo
Alguns sinais
Que primeiro eu inverti
Mas quando eu puder olhar prá trás
Você vai brilhar ali

Perigo na curva
Proibido parar
Antes de chegar a mim
Minha vida absurda
E a terra a girar
Quem escuta o meu sim?
Quem escuta o meu sim...

Quem sabe um dia
Eu lhe descrevo
Estes círculos que penso
Ao navegar por certos trevos
Em que os sonhos são mais densos

E às vezes alta madrugada
Ficam dúvidas com tudo
Quem sabe o fim não seja nada
E a estrada seja tudo

Perigo na curva
Proibido parar
Antes de chegar a mim
Minha vida absurda
E a terra a girar
Quem escuta o meu sim?
Quem escuta o meu sim...

 

Coloquei para tocar e repetir incansavelmente no meu mp3. Ainda bem que as máquinas não se cansam. Eu? Cansei faz é tempo...



Escrito por stessa persona às 00h08
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Acontece quase sempre. Basta um vislumbre de sol e eu sorrio. Ando me contentando com pouco.

Mentira. Sempre quero mais.



Escrito por stessa persona às 22h17
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All You Need Is Love

Porque eu tinha um quarto e esse quarto tinha uma cama de casal, imensa. Porque esse quarto tinha um espelho, estrategicamente posicionado. Porque ele tinha o número do quarto e o andar. Um telefonema, duas batidas na porta. Porque eu queria e ele também. Porque as coisas não devem ser complicadas se há possibilidade de serem simples.



Escrito por stessa persona às 01h09
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The end

Eu, assim como boa parte das pessoas, gosto de finais felizes.

Gosto mais ainda de finais, da certeza de que a coisa toda teve um fim.

Fim, é isso.



Escrito por stessa persona às 18h48
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Como se não houvesse de fato entendido a sua queixa, ela virou-se e olhou-o nos olhos:

"Bom ou ruim. Você comprou o pacote. Esqueceu?"



Escrito por stessa persona às 12h12
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Hoje não me defino. Só me defendo.



Escrito por stessa persona às 17h31
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Sempre o melhor

Funciona assim: você chega no lugar, pega logo um copo e se enfia na primeira roda de gente que aparecer. Enverede no assunto. Seja ele qual for. Mostre-se empolgada. Se estiver inspirada faça umas perguntas. Mantenha seu copo cheio. Dance se for de dançar. Fume se for de fumar. O principal: não responda às perguntas sobre ele. Se alguém indagar da sua dor, sorria apenas. Acredite, isso é o melhor que você pode fazer.



Escrito por stessa persona às 22h36
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Me acostumando

com esse ambiente.



Escrito por stessapersona às 21h48
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